Tocantinópolis
No ano de 1818, Bandeirantes se infiltram no Brasil, com o intuito de conquistar índios e devassarem terrenos. De Pastos Bons - MA, partiu uma bandeira na qual dois
componentes - Antônio Faustino e Venâncio (lavradores), saíram à procura de um lugar profícuo, onde pudessem estabelecer-se com sua família. Chegaram à margem
esquerda do Médio Tocantins, acima do Taury, onde se ostentava um amplo terreno fértil drenado pela natureza, propício ao trabalho agrícola. Ali fixaram residência.
Viram-se numa região promissora rodeada de magníficos babaçuais. Dada a altitude que se encontrava a região, deram-lhe o nome de Boa Vista.
Sete anos mais tarde (em 1825), de Cametá - PA, saíra Pedro José Cipriano, vulgo Pedro Cinzas, foragido dos trabalhos forçados na abertura de um canal no Baixo
Tocantins, chegando à boa Vista, que já com a Rua do Rola Pilão - (Hoje Rua Alves de Castro). Pedro José Cipriano achou a nova terra aprazível e futurosa, aqui decidiu
fixar morada, providenciado logo a construção de uma pequena capelinha em frente ao rio para realização de suas devoções, o que se constituiu num marco fundamental
para o nascimento da futura cidade.
Com o passar dos anos espalhou-se a noticia da fertilidade do lugar, então de diversos pontos afluíram visitantes, principalmente vindos da vizinha população de Carolina -
MA, fundada pelo bandeirante Antonio Moreira.
De Taury, falecendo Manoel Ferreira, sua viúva Dona Apolônia mudou-se para Boa Vista com seus filhos genros e noras, construindo cada um uma casa própria, em
disposição de rua formando-se assim um bairro (Bairro dos Periquitos), onde atualmente fica a Escola Estadual XV de Novembro e o Colégio Dom Orione.
Dentro da povoação, os novos moradores desatacavam-se. A viúva Dona Apolônia estimulava seus genros Mariano Ferreira e Manoel dos Santos que trabalhavam para
prosperar.
Manoel dos Santos foi o primeiro professor do município, sua profissão era sapateiro, mas por saber ler, escrever e contar era em suas horas vagas, mestre-escola
ensinando assim a alguns moradores, mais pelo gosto de ensinar, que por interesse de salário. Mais tarde este, abriu uma escola que ensinava a ambos os sexos,
tornando-se o primeiro professor de Boa Vista.
Em 1840, também para Boa Vista dirigiu-se Frei Francisco do Monte de São Vitor, missionário italiano, que a mando de Dom Pedro II, viera para amansar os índios
Apinagés e convertê-los ao catolicismo. Frei Francisco, vendo que Pedro José Cipriano mantinha boas relações com os indígenas, e também seu interesse pelo
catolicismo, Promoveu o melhoramento da Capelinha da Santíssima Trindade, onde passara a vir exercer suas atividades religiosas. Porém devido a existência de conflitos
entre a autoridade civil e secular com a autoridade tecnocrática de Frei Francisco, este foi obrigado a se Retirar de Boa Vista por volta do ano de 1859.
A cada dia que se passava a população de Boa Vista crescia mais e mais, então Pedro José Cipriano empolgado ante a beleza e o curso de sua povoação determinou que
todos a chamassem de Boa Vista do Tocantins. Assim por Revolução Provincial nº 14 de 31 de Julho 1852, o município passou a chamar-se Boa Vista do Tocantins. Em
28 de julho de 1852, através da lei provincial nº 2, Boa Vista do Tocantins foi elevada à categoria de cidade reconhecendo-se como seu fundador Pedro José Cipriano.
Porém, para muitos essa glória caberia por justiça à Dona Apolônia, construtora das primeiras ruas, cujo genro fundou a primeira escola o que transformou boa vista num
foco de luz.
OBS: Por lei que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1943, estabelecendo a redivisão territorial do estado, e a cidade passa a chamar-se Tocantinópolis.

O Movimento Político de 1891

Boa Vista do Tocantins, em 1891 já era uma grande e populosa cidade, sede de importante comarca e de futuroso município, onde os fazendeiros prosperavam com o
incremento da lavoura e a criação de gado. Entretanto vivia isolada do Estado de Goiás, seja pela distância da capital, seja pelas dificuldades de comunicação.