Tocantinópolis
A longínqua cidade de Boa Vista estava entregue ao trabalho de seus habitantes, mantendo comércio, sobretudo com os estados do Maranhão e Pará.
Em duas oportunidades as ruas da cidade se movimentavam: em época de eleições e por ocasião das Santas Missões.
O coronel Carlos Gomes Leitão – deputado – enquanto amparado pela política do governo estadual, desfrutava das doçuras do poder e fizera-se respeitado.
Em 1891, Boa Vista tinha como intendente o tenente coronel Francisco de Sales Maciel Perna, adversários de Leitão e que era acatado como grande amigo do povo.
Devido à grande ambição de Leitão e até mesmo à própria rivalidade entre ele e coronel Francisco Sales explodiu a famosa guerrilha de 31 de março de 1892

Padre João de Souza Lima

Padre João de Souza Lima nasceu em Boa Vista do Tocantins, a 03 de setembro de 1869, filho de José Francisco de Araújo e Nazária Lisboa de Sousa Lima. Ordenou-se
Padre em 1893, retornou a esta cidade em 30 de setembro de 1897 como vigário da paróquia local.
Recebeu o titulo de Cônego em 1930. Político nato, foi deputado estadual por duas vezes, e exercia um domínio tão forte, que para uma família fixar-se na cidade de Boa
Vista do Tocantins era necessário pedir permissão a ele, que somente após uma investigação, dava a sentença.

Padre João ainda promoveu três grandes revoluções, a principal e última foi a de 1936. Nesse ano foi eleito prefeito Manoel Gomes da Cunha. Padre João, por ser seu
adversário político, retirou-se para o interior do município. Em sinal de greve e protesto, organizou um grupo armado com 200 homens, inclusive indígenas e em 10 de maio
entrou na cidade tomando a prefeitura, após ter posto para correr os funcionários de todas as repartições. A fama de Padre João espalhou-se rápido pelas redondezas.

Fonte: CORREIA, Aldenora A. Boa Vista do “Padre João”: Tocantinópolis – Goiás. 1977.